Web Summit 2019: 2º dia da MoneyConf

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Hoje o Web Summit 2019 chegou ao fim.

Foram três dias intensos de aprendizado, novas ideias e muitos incômodos. Sim, saímos daqui incomodados, e não poderia ser diferente. 

Em um evento como esse, espiamos, em primeira mão, através de uma janela para o futuro. Futuro esse que, normalmente, está muito mais perto do que imaginávamos. 

Além disso, temos a oportunidade de entrar em contato com uma infinidade de iniciativas inovadoras e pessoas que nos inspiram. O único caminho possível é o de transformar esse incômodo em ações, criando novos e melhores meios para mover a sociedade.

Para isso, precisamos pensar no futuro dos meios de pagamentos.

O segundo e último dia da MoneyConf (se você ainda não viu o resumo do 1º dia da conferência, clique aqui) abordou bastante este tema e muitos paineis e apresentações tentaram responder à provocação: para onde estamos indo?

Veja abaixo um resumo do que vimos – o que em nossa opinião, foi um conteúdo ainda mais enriquecedor do que o apresentado no 1º dia:

  • Data driven: não é novidade, pois já estamos vivendo na era dos dados. Quem já não cansou de ouvir que os dados são o novo petróleo? Mas, de fato, eles serão cada vez mais relevantes. Contudo, devem  ser usados em benefício dos consumidores – no caso do varejo, para ajudá-los a tomar melhores decisoes de compra, por exemplo – e não para revenda de informações ou publicidade. Todos concordam que o uso de dados pessoais deve ser muito bem regulado;

 

  • Human x AI: apesar do Web Summit ser um evento de tecnologia e ela ser a base para as principais inovações em meios de pagamento – estamos falando de inteligência artificial, machine learning e internet das coisas (IoT) – o componente humano nunca pode ser subestimado. Por exemplo, após um terremoto na Flórida, a seguradora Chubb optou por substituir a IA por atendentes, a fim de se conectar de verdade com seus segurados e gerar empatia;

 

  • Empresas centradas no consumidor: os gigantes do varejo, Amazon e eBay, garantem que o segredo para o sucesso é ter uma empresa centrada no consumidor, e que permaneça relevante, conveniente e agragando valor. Sobre os meios de pagamento, quando questionados sobre optar por infraestruturas tradicionais ou fintechs, foram categóricos ao dizer que não favorecem nem um, nem outro, pois quem escolhe é o consumidor. Precisam oferecer o meio de pagamento que o consumidor que utilizar, e isso pode mudar ao longo do tempo. E terão suas próprias criptomoedas? Por enquanto não, mas se os clientes demandarem, sim.

>>> Curiosidade: a tão esperada entrega da Amazon via drone, segundo o CTO, está chegando!

 

  • Criptomoedas: Vieram para ficar, e a própria plateia comprovou: ⅓ da audiência (aprox. 300 pessoas) já possui uma carteira digital com criptomoedas. Quando falamos sobre a penetração mundial, estima-se que já existam 80 a 100 milhões de carteiras. Apesar da perspectiva positiva, as criptomoedas ainda tem um longo caminho a seguir até que sejam aceitas pelo público geral e pelas empresas, bem como sejam reguladas de forma adequada. Ainda existem muito entraves quanto à segurança, utilização e mesmo entendimento sobre as moedas digitais – por isso, foi ressaltada também a importância das stablecoins, cryptos menos voláteis que podem ser mais atraentes aos consumidores;

 

  • Democratização do sistema financeiro: é mais do que simplesmente proporcionar maior acesso a produtos e serviços, é preciso levar outros dois componentes em consideração: viabilidade (as taxas tanto para obtenção de crédito, quanto para investimento, precisam ser “pagáveis”) e sustentabilidade dos serviços oferecidos (ainda vão existir e ser apelativos aos consumidores em cinco anos?);

 

  • Open banking: está acontecendo rapidamente, porém não na velocidade desejada, especialmente pelas fintechs, pois o setor financeiro ainda é bastante superprotetor em relação à sua base de consumidores, margens e modelos de negócio. E para funcionar, ainda é preciso evoluir bastante em questões de infraestrutura, interoperabilidade e regulações;

 

  • Nem tão disruptivas assim: mesmo fintechs como a Revolut estão contratando profissionais vindos de grandes bancos, pois começaram a oferecer um portfolio muito maior de serviços financeiros. Ou seja, durante sua fase de maturidade, se aproximam um pouco mais dos bancos tradicionais. 

 

Brex Cash

A Brex, fintech que começou oferecendo cartões de crédito corporativos para SMBs, mas que hoje trabalha também com outros produtos financeiros B2B, lançou o Brex Cash: uma conta de para gerenciamento de dinheiro das empresas, totalmente integrada ao Brex Card. 

O Brex Cash permitirá que os clientes enviem pagamentos de forma rápida e fácil, sem taxas, além de um programa de recompensas que pode ser através de devolução de dinheiro, viagens e milhas aéreas. Os clientes também receberão um rendimento de 1,6% sobre os depósitos.

A startup foi fundada em 2017, no Vale do Silício, por uma dupla de brasileiros (na época, com apenas 22 anos) e hoje vale U$ 2.6 Bilhões. 

 

O dinheiro morreu, o que vem agora?

Outro painel muito interessante aconteceu fora da MoneyConf, diretamente no Centre Stage: “Cash is dead, what’s next to go?”

Os painelistas concordam que o dinheiro AINDA não morreu, mas que de fato as pessoas estão em uma busca crescente por serviços financeiros digitais, que devem estar 100% disponíveis em um ambiente online, sem a obrigatoriedade da existência de meios físicos ou de interações humanas para a gestão deste dinheiro.

O sistema financeiro atual mundial talvez não consiga acompanhar o ritmo de inovação das fintechs, que são digitais em seu core. Instituições mais tradicionais precisam adaptar e substituir seu sistema legado, o que pode ser um entrave ao seu rápido desenvolvimento e, consequentemente, um atraso para uma realidade totalmente cashless no futuro.

 

O evento pode ter terminado hoje, mas o nosso conteúdo não vai ficar por aqui. Nas próximas semanas, acompanhe o nosso blog para saber mais sobre o que vimos no Web Summit 2019 e, em especial, na MoneyConf.

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