Meios de pagamento pelo mundo: Holanda

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Estamos começando hoje uma série especial sobre os meios de pagamento ao redor do mundo. Conheça um pouco mais sobre o ecossistema holandês

A responsável por essa série de publicações especiais é a Mariane Mazza, nossa “correspondente internacional”. Desde agosto deste ano, ela está morando em Haia, na Holanda, e aproveitando a oportunidade para também explorar outros países – e analisar seus ecossistemas de pagamento.

Quando vim para a Holanda, já sabia que o sistema de pagamentos do país era um dos mais avançados do mundo. Mas como isso de fato impactaria em minha rotina? Descobri logo no primeiro dia.

Fui até a padaria do bairro, que é bem pequena e não faz parte de nenhuma rede. Pedi um croissant e escolhi um pedaço de torta de maçã para viagem. O atendente embalou com cuidado, me deu o pacote e eu dei o dinheiro. Adivinha? Tive que devolver tudo, afinal eles não aceitam dinheiro vivo. Mas nem as moedinhas, já contadas? Tsc tsc.

Alguns dias depois, só ter dinheiro como meio de pagamento me atrapalhou mais uma vez. Nas andanças pela nova cidade, quando me dei conta já estava bem longe do meu apartamento. A solução? Pegar um tram (trens elétricos que fazem parte do transporte público holandês). Antes de entrar, questionei se poderia pagar em dinheiro, e ouvi a mesma resposta novamente: não. 

O mês que passei sem um cartão, aguardando que ele chegasse pelo correio (o que levou longos 21 dias após a abertura da conta no banco Rabobank – mas isso é assunto para outro post) foi mais limitador do que eu havia antecipado. Afinal, se eu não conseguia comprar um pão na padaria do bairro, é de se imaginar que muitos outros estabelecimentos na cidade também só aceitassem cartão como meio de pagamento, o que impossibilitaria as minhas compras, mesmo nas regiões mais centrais.

E isso se confirmou quando pedi um café na Coffeecompany, uma rede holandesa de cafeterias, com lojas em mais de 35 cidades. Assim como a minha compra no Marqt, uma rede de supermercados focada em produtos naturais, também foi recusada. Até o registro na Prefeitura de Haia teve que ficar para depois, pois era necessário pagar uma taxa e, claro, só aceitavam pagamento em cartão.

Reparei também que, mesmo os lugares que aceitavam dinheiro, salvo grandes varejistas e alguns restaurantes, não ficavam exatamente contentes em receber as notas e moedas. Afinal, esse tipo de troca financeira é muito mais trabalhosa para os estabelecimentos do que a simples aproximação de um cartão contactless da maquininha. Nos atendentes, expressões surpresas ou de desapontamento eram comuns, e mais comum ainda era ouvir um “você não tem troco?”.

Já em Amsterdam, o cenário é diferente. Por ser a maior cidade da Holanda e a mais turística, minhas notas não foram recusadas em nenhum lugar. Assim como em cidades menores, como Leiden e Delft. 

Mas isso não quer dizer que Amsterdam não está acompanhando a evolução dos meios de pagamento: desde 2018, diversas lojas do aeroporto Schipol aceitam Alipay. Em 2016, mais de 10 milhões de chineses visitaram à Europa, sendo que o Schipol é a porta de entrada para uma parcela considerável desses turistas. Ou seja, acertadamente decidiram pela expansão do portfólio, a fim de oferecer ao público chinês seu meio favorito de pagamento.

Ainda não vi o Alipay sendo aceito em outros locais, exceto no aeroporto de Keflavík, na Islândia – aliás, vou falar sobre a experiência totalmente cashless que tive em terras islandesas em um próximo post! 

Mas segundo Roland Palmer, head of Europe do Alipay, em entrevista para a CNBC durante o Money 20/20 Amsterdam, 29 países europeus já aceitam o Alipay. Palmer disse também que o número de estabelecimentos que passaram a trabalhar com o meio de pagamento chinês triplicou no último ano, e estima-se que o número já chegue a 190.000 lojas.

 

Principais impressões sobre os pagamentos na Holanda

Até o momento, posso dizer que viver na Holanda trouxe duas reflexões: morar em um país com um sistema de pagamentos tão evoluído é ótimo – garante muita praticidade no dia a dia e contribui com o controle das finanças pessoais – mas se você se encontra fora dele, dependendo de onde está vivendo, uma série de atividades corriqueiras são comprometidas.

Diferente do Brasil, onde a principal dor da população desbancarizada é a falta de crédito, aqui o entrave é ainda maior, pois não ter um cartão (de crédito ou débito) impossibilita o consumo de itens de necessidade básica e até mesmo a locomoção. 

Entretanto, pelo que pude observar, isso não chega a ser um problema para os holandeses, que parecem mais do que habituados a carregar em suas carteiras somente os plásticos. Já os turistas e expatriados? Têm que contar com a sorte para encontrar estabelecimentos que aceitem seus papéis e moedas.

Por Mariane Mazza

Autor: Mariane Mazza

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