Evolução dos meios de pagamento: de onde viemos e para onde vamos?

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Os pensadores gregos já diziam que precisamos conhecer o passado para compreender o futuro. Aqui no nosso blog, falamos com frequência sobre o futuro dos meios de pagamentos e sobre novas tecnologias que estão transformando experiências de compra no varejo.

Mas qual foi a história que nos trouxe até aqui? Como a evolução dos meios de pagamento passou, ao longo de muitos anos, de um sistema de trocas de mercadorias para o que vivenciamos hoje, com pagamento por carteiras digitais, pagamentos contactless ou via wearables e até reconhecimento facial?

Neste artigo, vamos voltar no tempo para contar essa história e para refletir sobre o que deve vir pela frente!

A tecnologia e a evolução dos meios de pagamento ao longo do tempo

A tecnologia, como bem sabemos, impulsiona a inovação em qualquer área – e não poderia ser diferente no setor de meios de pagamento.

Foi ela que permitiu avanços importantes ao longo da história, desde a cunhagem de moedas ao se dominar a prática de manipulação de metais, até a chegada de modelos mais flexíveis para o setor com o impulsionamento das fintechs no período mais recente. O fato é que, no momento em que vivemos, essas transformações estão ocorrendo de forma mais acelerada do que anteriormente.

Evoluções que levaram séculos e décadas para acontecer, agora chegam em poucos meses. E isso tem exigido um olhar ainda mais estratégico das organizações, especialmente no varejo, para acompanhar o que o consumidor espera como experiência de pagamento.

Para entender melhor essa evolução dos meios de pagamento, vamos passar pelos principais marcos do setor que estão no gráfico abaixo:

evolução dos meios de pagamento

Sistema de trocas

As atividades comerciais começaram por meio de um sistema de trocas entre indivíduos, em que cada um trocava o que tinha, especialmente itens perecíveis de produção agrícola. Assim eram os pagamentos em um período que durou até, aproximadamente, 7 mil A.C.

Moeda de Metal

Com o desenvolvimento de meios que permitiam a transformação de metais e a evolução do comércio, começou a cunhagem de moedas de metais. Isso ocorreu inicialmente em regiões como Turquia, Grécia, Índia e China.

O início da utilização de moedas é um marco muito importante para a nossa história, afinal, é o início do pagamento legal e padronizado.

Papel Moeda

No Século 17, temos outro importante marco para a história dos meios de pagamento: a criação do papel moeda. Embora já fossem utilizados “bilhetes de banco” desde o Século 14, foi então que um banco sueco emitiu as primeiras cédulas de dinheiro.

Atualmente, mesmo que esteja em declínio como meio de pagamento, sabemos da importância que o papel moeda possui na economia. No Brasil, por exemplo, o número de cédulas e o valor em circulação aumentou ao longo da última década. 

Entre os motivos para essa forte presença, temos a desbancarização de uma importante parcela da população e também o ainda presente receio em se fazer transações eletrônicas. Porém, os pagamentos em dinheiro são cada vez mais restritos a pequenos valores e devemos, nos próximos anos, ver uma diminuição dessas transações com o acesso facilitado aos serviços financeiros.

Cheque

O cheque pode parecer coisa do passado, mas a verdade é que até poucos anos atrás era um forte meio de pagamento aqui no Brasil.

Ele começou a ser utilizado na Inglaterra por volta do século 17, como um documento assinado que se tornou instrumento de pagamento. Por aqui, seu surgimento oficial foi em 1893, quando foi citado na Constituição como forma de transação financeira.

Apesar de ainda serem aceitos em algum estabelecimentos comerciais, podemos dizer que os cheques já são uma raridade. Tanto para o varejo, quanto para os consumidores, as transações por cartão de crédito e débito passaram a cumprir um papel de maior importância.

Cartão

Os cartões chegaram ao Brasil em 1956, porém foi apenas em 1971 que desenvolveu-se a tecnologia da faixa magnética, tornando este um meio de pagamento eletrônico.

Para que os cartões magnéticos pudessem ser lidos, foram criados os terminais de pagamento eletrônico, que trouxeram transações mais seguras para os varejistas. Essa tecnologia, entretanto, se popularizou em nosso país apenas nas décadas de 1980 e 1990, com a chegada ao mercado das bandeiras de cartão.

A partir de então, vimos a crescente adesão de estabelecimentos e de consumidores aos pagamentos em crédito e débito. E os cartões também evoluíram com a tecnologia! Cartões com chip, maquininhas com acesso facilitado aos comerciantes, cobranças por celular e, recentemente, a tecnologia NFC (Near Field Communication), sobre a qual falaremos logo mais.

Transações eletrônicas

Quase que em paralelo aos cartões, tivemos no Brasil também a popularização das transações eletrônicas. O internet banking foi desenvolvido nos anos 1980 e avançou bastante nos últimos anos, especialmente em relação à segurança nas operações.

Vem mudando também o dispositivo na hora de fazer as transações por meio da internet: o mobile banking ganha cada vez mais força, especialmente com o avanço das fintechs e aplicativos que incluem meios de pagamento.

Segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária de 2019, o número de transações eletrônicas cresceu 300% de 2014 a 2018. Elas também já superam as operações financeiras realizadas em canais tradicionais, como agências bancárias e ATMs.

Pagamentos instantâneos

Os maiores avanços dos últimos anos, porém, estão nos pagamentos instantâneos. Eles ocorrem quando há transferência monetária eletrônica diretamente da conta de quem paga para quem recebe, sem um intermediário (como as bandeiras de cartão, por exemplo).

As principais tecnologias associadas a este meio de pagamento são o QR Code e as tecnologias por aproximação (NFC – Near Field Communication).

Falando em evolução dos meios de pagamento, os pagamentos instantâneos simplificam ainda mais a experiência de compra, reduzindo etapas para o consumidor e também garantem mais segurança para os dois lados da transação.

É claro, a adesão ainda é baixa no Brasil, mas devemos ter uma popularização acelerada nos próximos anos, principalmente com a entrada de novas gerações no mercado de trabalho.

Open Banking

Outro movimento importante atualmente e associado aos meios de pagamento é o Open Banking.

Este modelo permite o desenvolvimento por terceiros de serviços adicionais aos oferecidos pelas instituições financeiras tradicionais. Isso é possibilitado pelo compartilhamento de APIs criadas pelos bancos com outras empresas.

Desta forma, é possível existir um ecossistema de produtos e serviços ao redor das instituições financeiras, enquanto elas focam nos serviços essenciais.

No Reino Unido este modelo está já bastante presente no mercado. Por enquanto, aqui no Brasil, o Banco Central discute como poderá ser seu funcionamento e seus mecanismos regulatórios.

Para onde devemos ir nos próximos anos?

Quando falamos em evolução dos meios de pagamento, os avanços se aceleraram nos últimos anos. Isso nos leva a questionar o que deve vir pela frente e como os negócios, principalmente no varejo, precisam estar preparados para oferecer as opções de pagamento mais populares entre seus clientes.

Diante do que vimos nos últimos anos, podemos apostar em algumas tendências. Os pagamentos devem ser cada vez mais por múltiplos dispositivos, sem atrito e sem barreiras ao comprador. As experiências se tornam mais simples, ágeis e personalizadas, mas também mais seguras! Esse é um dos grandes desafios para o setor financeiro e de meios de pagamento, e tudo indica que irá evoluir rapidamente.

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