Bancarização na América Latina: avanços e desafios para a inclusão financeira

Compartilhar

Os índices de bancarização na América Latina estão crescendo: as pesquisas que fazem um balanço do último ano têm apresentado um salto no número de pessoas que abriram novas contas.

Se em janeiro de 2020 o Banco Mundial indicava que apenas 55% de adultos latino-americanos tinham conta em banco, agora essa realidade está mudando.

Segundo o IBGE, em outubro de 2020 aproximadamente 10 milhões de brasileiros abriram sua primeira conta a partir de meados de abril de 2020 para receber a ajuda financeira do Governo Federal. Pelo mesmo motivo, países como Colômbia, Chile e Costa Rica acompanharam este movimento.

De acordo com outro estudo, feito pela Mastercard e Americas Market Intelligence em 13 países da América Latina e Caribe, mais de 40 milhões de pessoas foram bancarizadas nos últimos meses, sinalizando o quanto a pandemia foi decisiva para o aumento no uso de serviços financeiros digitais devido às medidas de distanciamento social. 

Este crescimento da inclusão financeira representa a evolução do mercado, a aceitação dos consumidores por novos meios de pagamento e a abertura de reguladores bancários mais tradicionais. Mas, ainda existem desafios que impendem um progresso mais uniforme da bancarização na América Latina como um todo.

Neste artigo, vamos falar sobre estes avanços e dificuldades, olhando para as particularidades de alguns países.

Como ocorreu a evolução da bancarização na América Latina?

Até pouco tempo atrás, a população latino-americana desbancarizada era deixada em segundo plano pelas instituições financeiras tradicionais, principalmente pelos altos custos operacionais e pela ampla adoção das trocas em papel moeda.

O cenário mudou quando as fintechs começaram a surgir e se multiplicar em toda a região. Para se ter uma ideia, um estudo do BIS (Banco de Compensações Internacionais), mostrou que 64% da população ativa digital no Brasil usou os serviços de uma fintech em 2019. No México, esse percentual foi de 72%, e na Colômbia chegou a 76%. A média mundial, de acordo com a pesquisa, foi de 64%.

Gráfico investimento em fintechs e bancarização na América Latina.

O investimento em fintechs foi um dos fatores que culminou para a bancarização na América Latina.

Outro fator que contribuiu para o avanço da bancarização na América Latina foi a popularização dos smartphones com acesso à internet. Conforme a Federación Latinoamericana de Bancos (FELABAN), hoje 67% das pessoas têm acesso à internet pelo celular.

Atentos à rápida evolução dos meios de pagamentos digitais e o crescimento das fintechs, os grandes bancos privados também decidiram criar seus próprios canais para não perder espaço no mercado. Da mesma forma, os bancos centrais dos países também vem adotando novas tecnologias, à exemplo do Pix no Brasil, que já está contribuindo com o aumento da inclusão financeira no país.

Conheça três exemplos de países latino-americanos que estão reduzindo o número desbancarizados:

Colômbia 

De acordo com a Associação Bancária e de Entidades Financeiras da Colômbia, nos meses mais críticos da pandemia, 1,5 milhão de pessoas aderiram pela primeira vez ao sistema financeiro, elevando a taxa de bancarização do país a 85,6%. Segundo a pesquisa Mastercard e Americas Market Intelligence, o número de desbancarizados caiu em 8%.

Chile

Reconhecido por ter um mercado concentrado, o Chile também teve alta na taxa de bancarização, que agora é de 74,3%. Segundo uma apresentação do Banco Central, em julho de 2020, entre os meses de março a maio, o número de contas correntes no país aumentou de 30% a 40% em comparação ao ano anterior.

México

Apesar da porcentagem de mexicanos bancarizados alcançar apenas 36,9% de toda a população, a mesma pesquisa da Mastercard também concluiu que o México vem diminuindo o número de desbancarizados.

Um dos países chave no processo de internacionalização da Conductor, o México se assemelha ao Brasil em termos de economia e perspectivas para o crescimento no uso de meios de pagamentos digitais. Recentemente, o governo local lançou um sistema de pagamentos instantâneos chamado CoDi (abreviatura de Cobrança Digital), baseado em QR Code e tecnologia de comunicação de campo de proximidade (NFC) por telefone, parecido com o Pix.

Mesmo com a evolução da bancarização na América Latina, para uma parcela de latino-americanos, o acesso a determinados serviços financeiros ainda encontra algumas barreiras que precisam ser quebradas – sobre as quais falaremos a seguir.

Fatores socioeconômicos estão entre os desafios da bancarização na América Latina

A bancarização costuma acompanhar o desenvolvimento econômico das regiões. Por isso, países como Estados Unidos, Austrália e Reuno Unido já têm grande parte da população bancarizada. A realidade da América Latina ainda é muito desigual e, nesse sentido, o fomento à inclusão financeira é um grande passo na redução da pobreza e no impulso à economia e à recuperação financeira no pós-pandemia.

Ainda que o investimento em tecnologia tenha melhorado de forma considerável nos últimos anos, algumas questões acabam impendindo o crescimento no uso dos serviços financeiros, tais como: altas taxas de desemprego, baixa renda per capita dos países, índice de desenvolvimento humano abaixo da média e outros fatores socioeconômicos.

Somado a isso, a bancarização na América Latina ainda enfrenta outras barreiras que dependem da mudança de comportamento do consumidor, como a resistência ao uso de contas digitais e a preferência por papel moeda, além das diferentes regulações de cada país para a implementação de novos sistemas financeiros.

O papel da Conductor para a melhoria da inclusão financeira na América Latina

Junto à evolução nos processos de bancarização no Brasil e na América Latina, também aceleramos a internacionalização da Conductor nos últimos meses. Nossa entrada em outros países representa a vontade em contribuir, cada vez mais, com a inclusão financeira da população que ainda não tem acesso às novas tecnologias em meios de pagamento.

Por mais que o desenvolvimento do mercado latino-americano seja desafiador, acreditamos que agora é o momento ideal para que empresas e consumidores se adaptem a esse novo ecossistema digital gerado pela pandemia, aproveitando o potencial de negócios da região e colaborando para a democratização de melhores sistemas de pagamento pelo mundo.

Confira um trecho de uma entrevista com Ricardo Longo, Diretor de Marketing e Produtos da Conductor, e saiba mais sobre o nosso processo de internacionalização.

Bancarização na América Latina: resumo

  • Os índices de bancarização nos países da América Latina estão aumentando, a partir de um reflexo de comportamento gerado pela pandemia.
  • Até pouco tempo atrás, o mercado latino-americano era praticamente ignorado pelas instituições financeiras, mas o cenário mudou com a chegada das fintechs, da popularização do acesso à internet e da entrada de novas tecnologias.
  • A bancarização avança agora, contribuindo para a inclusão financeira mas também trazendo barreiras que precisam ser quebradas, conforme as diferentes realidades de cada país.

Quer saber mais?

Posts relacionados

Conta Digital PJ: uma das oportunidades da vez em serviços financeiros
Financeiro

Conta Digital PJ: uma das oportunidades da vez em serviços financeiros

Não há dúvidas de que a conta digital PJ é uma das oportunidades da vez em ser...

Open Finance e Open Banking: qual é a diferença e qual modelo de fato está sendo implementado no Brasil?
Financeiro

Open Finance e Open Banking: qual é a diferença e qual modelo de fato está sendo implementado no Brasil?

Após adiamento em função da pandemia, a implementação do Sistema Financeiro A...

Etapas do Open Banking no Brasil: o que acontece em cada fase?
Financeiro

Etapas do Open Banking no Brasil: o que acontece em cada fase?

O cronograma de implementação em quatro etapas do Open Banking já começou a se...

Receba nosso conteúdo exclusivo

Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência no nosso site. Acesse a nossa Política de Privacidade para saber mais ou gerenciar suas preferências pessoais em Cookie Settings. Ao usar o nosso site, você concorda com o uso de cookies.